Estoque zero

 

Novas tecnologias e uma logística diferente irão reduzir os estoques nas lojas e mudar a dinâmica atual do varejo.

As novas tecnologias estão cada vez mais integradas pela internet, os serviços online são fáceis e rápidos graças à conexão sem fio, altas velocidades de transmissão e processamento de dados. Apesar de ainda estar muito longe do ideal, a infraestrutura de comunicação tecnológica melhorou muito no Brasil nos últimos anos. Simultaneamente, e não por acaso, as vendas pela internet disparam e só no ano passado cresceram 24%, totalizando 103 milhões de pedidos feitos por 51 milhões de consumidores, sendo que desse total de consumidores nada menos que 10 milhões fizeram sua primeira compra no ano passado. Os brasileiros, estão cada vez mais conscientes das vantagens de fazer bons negócios online e receber em casa.

Alguns setores do varejo, por natureza, dependem menos das entregas imediatas de mercadorias, é raro ver um consumidor sair da loja carregando um sofá ou uma geladeira. A loja virtual de decoração Oppa, montou 7 lojas físicas em 3 capitais do Brasil que operam com demonstradores e sem estoque, a venda da loja é totalmente direcionada pela internet para entrega posterior, tanto que a marca chama essas lojas de “showroom”.

Num cenário mais conectado e bem informado, os clientes estão cada vez mais dispostos a esperar, mesmo que por algumas horas, pelo produto que desejam se forem receber exatamente o que querem. Se houver o ganho de algumas horas adicionais para a entrega, imagine que as lojas poderiam ter mais opções de cores, modelos, tamanhos e variedades de produtos, então a chance do cliente sair sem comprar seria menor. Hoje, os vendedores mais atentos se voluntariam a pesquisar a disponibilidade do produto que o cliente deseja no estoque de outras lojas da rede, normalmente fazem isso num terminal de computador onde só o vendedor acessa o sistema da própria rede para descobrir, entre números e códigos, se o produto existe. Se o produto existir em outra loja da rede, caberá ao cliente ir até a loja onde o produto “consta em estoque” para comprar, e torcer que não seja a última peça disponível e ninguém a compre antes dele, ou aguardar a transferência para a loja que ele está, e isso poderá levará alguns dias.

O que os novos conceitos de “estoque zero” estão trabalhando hoje, é municiar esses voluntariosos vendedores, com ferramentas sedutoras de vendas para apresentação dos produtos que não estão presentes na loja naquele momento, e sistemas de entrega eficientes para trazer o produto rapidamente à loja, antes que o cliente desista. Alguns sistemas de “estoque zero” mais avançados, consideram produtos no estoque de lojas ou marcas parceiras. Por exemplo, um determinado livro procurado por um cliente numa loja poderá vir do estoque de outra livraria próxima de uma marca diferente, teoricamente uma concorrente da livraria na qual o cliente está comprando o produto. Esse sistema de parceria já é comum nas operações de e-commerce no Brasil, note que as principais lojas virtuais indicam de onde estão vindo os produtos e são comissionadas pela venda por essas lojas.

Um importante ponto no conceito do estoque zero é a venda do produto que, algumas vezes pode não estar exposto na loja, e o consumidor precisa ter a segurança de que a escolha está correta e irá recebê-lo após o pagamento. Novas tecnologias estão apoiando esse processo de venda com maior segurança. É possível ter uma demonstração digital ou fazer simulações do produto sem a presença física dele com bom nível de fidelidade. Hoje, monitores de LED e um software ajudam a demonstrar o produto, assim como, os espelhos digitais, tablets e mesas eletrônicas sensíveis ao toque cumprem muito bem essa função. Ainda em desenvolvimento e pouco aplicado no varejo, a realidade virtual promete ser uma prática dominante na loja, mas isso ainda irá demorar um pouco.

Outro ponto importante é a logística. Recolher o produto vendido onde ele estiver e entregar ao cliente na loja em algumas horas ou em casa. Há novas tecnologias também para isso. Os famosos drones da Amazon e Alibaba impressionam pela modernidade, mas outras soluções parecem ser mais simples e funcionais para o Brasil. Uma delas é o Uber, um serviço de transporte semelhante ao táxi, mas com a diferença que o transporte é prestado por uma pessoa comum num carro particular e não um taxista. O Uber tem atendido chamados de lojas de diversos países para levar as mercadorias rapidamente de um lado para o outro, e tem funcionado muito bem. Outra opção tem sido uma promissora empresa norte-americana chamada Instacart, ela está sendo chamada de “a melhor amiga do varejo”. A Instacart faz a compra pelo cliente e leva até ele o produto rapidamente, ou, se o cliente desejar, faz apenas o transporte para a loja do que o cliente comprou. A demanda da Instacart tem sido grande para as redes de supermercados

O Google Shopping Express é uma tentativa de integrar os produtos, leia-se estoques e preços, de diversas lojas do varejo num mesmo ambiente virtual de consulta, assim o varejista se preocuparia exclusivamente com o processo de venda, experiência positiva do cliente, conhecimento do produto, fidelização para próxima venda e menos com a logística. Cada vez mais parece que a atenção ao cliente e o processo de venda estão se tornando o foco do varejo.

 

 

 

 

 

 

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