Loja Light para um mercado menor

 

Varejistas desenvolvem formatos compactos de loja para acessar municípios de médio e pequeno porte.

Não dá para deixar de lado, algumas praças têm potencial de vendas tão bom que justificam a existência de uma loja da marca. O potencial não é igual aos grandes centros, as maiores cidades brasileiras concentram 57% do consumo nacional, mas em alguns casos, as cidades menores são grandes o suficiente para sustentarem o faturamento de lojas de marcas conhecidas. Trata-se de um tamanho intermediário de mercado, pode-se dizer de médio porte. Imagine uma cidade com um bom comércio constituído, um número considerável de habitantes, razoável estrutura residencial e um consumo anual que cresce mais que nas grandes cidades. A ideia não é nova, alguns empreendedores já enxergaram esse potencial no Brasil há mais de 20 anos, mas nos últimos 5 anos esses mercados têm crescido expressivamente e chamando ainda mais a atenção.

Essas cidades têm sido alvo frequente de várias marcas ao perceberem que o potencial de vendas por lá poderia justificar a instalação de uma loja, mas o faturamento seria um pouco inferior que nas grandes cidades, então seria necessário usar uma loja menor que as tradicionais, algo que fosse compatível com o mercado, algo como uma “loja light”. A estratégia foi enxugar a loja reduzindo a área de vendas, quantidade de produtos expostos para os mais vendidos, adaptar o número de funcionários para um faturamento menor, criar novas soluções de design do mobiliário e arquitetura, espaçar o período de troca da vitrine entre vários outros ajustes para baixar as despesas mensais e reduzir o investimento inicial.

 

Os varejistas adotaram estratégias diferentes entre si, alguns deles usaram lojas menores e mais simples reduzindo o porte de negócios, outros fizeram lojas dentro de outras lojas maiores já instaladas no mercado local para aproveitar o tráfego local e existem até lojas instaladas em contêineres. A rede de lojas de alimentação Madero desenvolveu uma loja utilizando contêineres que facilitam a montagem de novas unidades, algumas delas localizadas dentro de postos de gasolina. Várias marcas adotaram o modelo de franquias para reduzir a estrutura de controle, necessidade de suporte e minimizar as viagens de visitas com um parceiro que pudesse ser o operador local, no caso o franqueado. Como o investimento na loja compacta também é reduzido, atrai um número significativo de candidatos à franquia. A rede Cacau Show tem mais de 1.600 lojas, várias delas localizadas em municípios de médio e pequeno porte.

Melhores PráticasConcorrência - apesar do potencial atrativo de negócios, vale lembrar que os mercados têm consumo limitado e a presença de vários concorrentes simultaneamente pode deixar de ser um bom negócio para todos. Chegar primeiro, formar rapidamente uma clientela e a eficiência são condições de sobrevivência no longo prazo.

 

Adaptação – além de ajustar o formato de negócios para o menor faturamento, é fundamental entender as novas regras de mercado e fazer adaptações na comunicação visual, mix de produto/serviço, processos construtivos entre outros fatores que demandam ajustes rápidos. É necessário aprender e pensar diferente.

 

Despesas – todos os números de negócios são menores, faturamento e despesa, então qualquer mudança, como uma despesa adicional por exemplo, pode impactar diretamente na lucratividade do negócio.Descentralização – a dispersão geográfica das cidades dificulta a centralização das decisões, então a autonomia de processos e a gestão de pessoas tornam-se condições ainda mais importantes de sucesso da gestão.

 

Logística – além dos números de consumo, um fator crítico de sucesso é a escolha dos mercados alvo considerando também a proximidade com os grandes centros e a rota entre eles, assim a abertura de lojas em cidades de médio porte pode otimizar a logística.

 

A expansão de lojas em mercados de médio ou pequeno porte aumenta a capilaridade da rede, qualquer varejista que deseje ter uma rede de lojas com atuação nacional e expressivo número de unidades precisará atuar nesses municípios, mas o principal ganho provavelmente está relacionado com a capacidade de adaptação e descentralização que o varejista tem que desenvolver para ter sucesso. A gestão de lojas em cidades de menor porte gera novas e importantes habilidades de adaptação ao varejista.

 

 

 

 

 

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